Intestinos
Infarto Intestinal
Enterocolites
Apendicite aguda
1-
Infarto Intestinal
-
Restrito a camada mucosa_ a mucosa é o tecido intestinal
mais sensível a mucosa.
-
Infarto Trasmural_ acomete toda a parede (mucosa, submucosa,
muscular profunda, serosa). Pode ocorrer perfuração
intestinal ocorre necrose da área intestinal infartada.
O tecido necrótico é liqüefeito ocorrendo
comunicação da luz intestinal com a cavidade.
Os
infartos dividem-se em dois grupos: aqueles que ocorrem nos
indivíduos em fase terminal da vida ou então
ocorrem em indivíduos hígidos, onde o infarto
é o principal sintoma.
A
definição de infarto pode ser dada por necrose
isquêmica e o seu diagnóstico baseia-se fundamentalmente
na morfologia (necrose do tipo hemorrágico - infarto
vermelho). Macroscopicamente a alça encontra-se com
tonalidade vermelho-escuro. Geralmente a obstrução
nos vasos não é encontrada. O que indica a isquemia
é a necrose do tipo hemorrágico. Clinicamente
manifesta-se geralmente com quadro de dor súbita, periumbilical,
acompanhada de taquicardia, hipotensão, náuseas,
vômito, diarréia sangüinolenta e, às
vezes, choque. Logo os movimentos peristáticos encontram-se
diminuídos ou ausentes (destruição da
musculatura lisa, fenômenos tóxicos ou íleo
adinâmico). Quando há peritonite, a parede abdominal
torna-se enrijecida. Problema: essas manifestações
são comuns a vários processos patológicos
causadores de abdome agudo.
Causas:
-
0bstrução de artérias que irrigam
o tecido. É a mais freqüente. Pode ocorrer
por: 1) Trombose Mesentérica (a trombose da artéria
mesentérica superior é a mais freqüente
sendo, portanto, o intestino delgado mais acometido que
o intestino grosso. Ocorre subitamente em pacientes com
aterosclerose, geralmente com idade mais avançada);
2) Embolia mesentérica (origina-se mais comumente
no coração e atinge mais a a. mesentérica
superior por dois motivos: a) tem maior calibre que a
inferior; b) o ponto de emergência na aorta tem
trajeto oblíquo, em Y invertido, que facilita a
penetração dos êmbolos ); 3) Baixa
perfusão arterial nos intestinos (pacientes pré-dispostos
); 4) Miscelânea (torção de pendículo,
hérnias estranguladas, invaginação
intestinal, vólvulo e diversas doenças vasculares).
-
Obstrução de veias que drenam o tecido (trombose
da v. mesentérica).
O
infarto intestinal só ocorre se a oclusão está
em vasos mais calibrosos. Existem muitas anastomoses entre
os ramos menos calibrosos. Os infartos são, portanto,
extensos.
Conseqüências
e complicações
-
Ausência de movimentos peristáticos (distensão
progressiva da alça infartada).
-
Obstrução do trânsito intestinal.
-
Abdome distendido.
-
Diarréia sanguinolenta.
Evolução
Perfuração,
peritonite difusa, morte. Obs:. A necrose decorrente da morte
celular só apresenta sinais vistos macroscopicamente
de 15 a 18 horas após a ocorrência do infarto.
A perfuração ocorre aproximadamente 48 horas
após o infarto.
2 - Enterocolites
Em
condições normais as bactérias intestinais
tem funções importantes, como a desconjugação
de sais biliares, metabolização de proteínas
e gorduras, produção de vitaminas e etc. Quando
ocorrem transtornos do crescimento ou desequilíbrio
das populações bacterianas, surgem distúrbios
relacionados as funções da microflora. Nesse
caso podem surgir má absorção intestinal,
hipovitaminoses K e D, anemia ferropriva, desequilíbrio
eletrolítico etc.
Classificação:
-
Agudas: início súbito. Cessada a causa ocorre
recuperação.
1.1 Inespecíficas: não se isola o agente etiológico.
1.1.1 Catarral: edema, congestão, descamação
excessiva de células.
1.1.2 Pseudomembranosa: Além dos outros sinais
ocorre formação de úlceras com tampões
de fibrina. As placas tem coloração acinzentada
e encontram-se mais ou menos aderidas a parede subjacente.
Ocorre em indivíduos idosos, hospitalizados e em
tratamento com antibióticos de largo espectro.
1.1.3Flegmosa: ocorre colonização da parede
por bactérias piogênicas. Mais comum em indivíduos
imunodeprimidos.
1.2 Específica
1.2.1) Febre tifóide: Causada Salmonela typhi .
Clinicamente manifesta-se com febre, cólicas abdominais
e diarréia, às vezes alternada com constipação,
evoluindo em 4-5 semanas. Ocorre formação de
úlceras ovaladas sobre as placas de Payer, tendo bordas
elevadas e fundo granuloso, contendo restos de material necrótico.
Nas 3ª e 4ª. semanas ocorre
limpeza da úlcera e cicatrização.
1.2.2) Enterocolites bacterianas: ocorrem ou por produção
de toxinas (E. coli e Vibrio cholerae), ou invasão
de parede (causam inflamação no intestino delgado
e/ou grosso. Diarréia com excesso de líquidos,
muco, células inflamatórias e, às vezes
sangue. Pode ser provocada por bactérias do grupo Shigella
ou pela E. coli enteroinvasiva. Ocorre formação
de pseudomembranas).
2-
Crônica: tem início lento, assintomático
ou oligissintomático.
2.1)
Inespecíficas
2.1.1) Doença de Crohn: Ileíte terminal (mas
pode acometer eventualmente qualquer segmento do tubo digestivo).
Acomete toda a espessura da parede (inflamação
crônica fibrosante), sendo suas lesões tipicamente
segmentares. A serosa é granulosa e o mesentério
geralmente está espessada, edemaciado e, às
vezes fibrosado. As ulceras são estreitas e profundas,
sob a forma de fissuras lineares e tortuosas,, atingindo muitas
vezes a serosa (podem ocorrem aderências e fistulas
entre alças, entre estes e o intestino grosso, bexiga,
vagina ou a pele. Progressivamente provoca estenose e obstrução
mecânica. Tem causas desconhecidas. Freqüentemente
se estende através de linfáticos acometendo
linfonodos. Ocorre diminuição da absorção
de gorduras e de vitaminas lipossolúveis. Pode apresentar
emagrecimento e infecções repetidas. Complicações:
obstrução, fístulas, abscesso perirretal,
hemorragias e peritonite.
2.1.2)
Retrocolite ulcerativa: ocorrem períodos ativos e inativos.
Acomete mucosa e submucosa. Ocorre formação
de úlceras hemorrágicas e progressivamente as
áreas atingidas são substituídas por
fibrose. As lesões são contínuas. Freqüente
formação de pseudopólipos que são
resultantes da protrusão para a luz intestinal de ilhotas
da mucosa não lesada, quando ocorre retração
cicatricial da úlcera na fase de remissão da
doença. A doença evolui caracteristicamente
de modo recorrente. Pacientes com essa doença tem maior
risco de desenvolver adenocarcinoma de intestino que a população
em geral.
2.2)
Específica
2.2.1)
Tuberculose (primária ou secundária ). Na tuberculose
secundária (decorrente da deglutição
de secreções contendo bacilos) ocorre formação
de úlceras crônicas fibrosantes segmentares,
anulares, no ceco e no íleo. Iniciam-se nas placas
de Payer como pequenos nódulos, encontrados também
nas camadas muscular e serosa. Pode ocorrer estenose (obstrução
no mesmo local de doença de Crohn). Como a inflamação
geralmente compromete todas as camadas intestinais, muitas
vezes ocorrem aderência com outras alças do intestino,
com o omento ou com a parede abdominal. Pode estender-se para
linfonodos.
2.2.2)
Esquistossomose (catarral; ulcerosa; polipóide tem
como complicações hemorragias e se existem pólipos
em grande número pode ocorrer obstrução
intestinal. Não sofrem transformação
maligna; pseudotumoral).
O
mais importante nas enterocolites é descobrir sua etiologia
para a instituição do tratamento (dificilmente
ocorre na prática).
3- Apendicite aguda
Mecanismos:
1) obstrução por tumores, fecalitos, cálculos,
vermes (ocorre acúmulo de secreções.
Ocorre aumento da pressão intraluminal que torna-se
importante quando ultrapassa os valores da pressão
venosa provocando edema, congestão, compressão
do sistema arterial, isquemia necrose e infecção
);
2) infecções.
O
quadro clínico clássico da apendicite tem início
súbito com dor ou desconforto abdominal, a princípio
na região periumbilical, náuseas, vômitos,
defesa abdominal, febre baixa (geralmente), dor na fossa ilíaca
direita, leucocitose moderada com desvio para esquerda.
Complicações:
-
Perfuração - Peritonite.
-
Septicemia.
-
Abscesso hepático.
-
Pileflebite - inflamação da Porta ou ramos.
Formação de aderências.
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