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Esôfago

1- Esofagite aguda

Podem ser causadas por bactérias (estafilococos, estreptococos, salmonelas, etc.), vírus (influenza, herpes simples, citomegalovírus, etc.), fungos (cândida, aspergilus, etc.), alimentos quentes ou irritantes, substâncias cáusticas e traumatismos (sondas ). A inflamação pode ser circunscrita ou difusa e adquire aspectos catarral, fibrinoso, purulento e/ou ulcerativo.

2- Esofagite crônica

Além das causas já citadas podem ser provocadas por estase alimentar (por estenose ou compressão do esôfago, megaesôfago, etc.). Surgem infiltrado inflamatório de mononucleares, hiperplasia do epitélio e graus variados de fibrose da parede.

3- Esofagite de refluxo

Consiste da inflamação do esôfago por refluxo gastrointestinal (suco gástrico, bile, suco entérico e suco pancreático ). O refluxo ocorre quando são vencidas barreiras anatômicas e funcionais existentes na transição esofagogástrica:

  1. Mecanismo esfincteriano que se mantém com tônus aumentado em repouso. A pressão do esfíncter inferior do esôfago varia sob diversas condições, como estresse mecânico, efeitos hormonais, influências farmacológicas e, provavelmente, também em decorrência de fatores emocionais.
  2. Pinçamento e deslocamento do esôfago para baixo e para a direita pela contração do diafragma, tornando mais agudo o ângulo de sua entrada no estômago.
  3. Ângulo oblíquo (de His) de entrada do esôfago no estômago. Em crianças é praticamente ausente.
  4. Ligamento frenoesofágico, que através de suas fibras elásticas, ajuda a manter a JEG em posição normal.
  5. Artéria gástrica esquerda, que auxilia a fixação do estômago em sua posição normal.
  6. Posição ereta e gravidade (conteúdo gástrico coletado no antro).
Além de todos esses fatores, se há refluxo, o esôfago se defende aumentando as ondas peristálticas que tentam retornar ao estômago o líquido refluído.

Causas:

  1. Hérnia de hiato por deslizamento.
  2. Condições que aumentam a pressão abdominal (ascite, gravidez, obesidade, constipação intestinal, meteorismo exagerado)..
  3. Entubação nasogástrica prolongada.
  4. Intervenções cirúrgicas na transição esofagogástrica
  5. Vômitos repetidos
  6. Esclerodermia.
  7. Algumas vezes não se identificam causas anatômicas. Podem ser devidas a alterações funcionais do esfíncter inferior provocadas pelo fumo, álcool, modificação nas taxas dos diferentes hormônios digestivos. Muitas vezes as esofagites encontram-se associadas a úlcera péptica especialmente a duodenal.
Quadro macroscópico

Variado. Na fase aguda o esôfago pode encontrar-se normal ou apresentar congestão, edema ou ulceração de mucosa. Na fase crônica a mucosa é escavada por sulcos longitudinais separados por cristas ou elevações, que correspondem ao espessamento da mucosa (fibrose). Dependendo da extensão da ulceração pode ocorrer espessamento da parede e estenose da luz (neoformação conjuntiva). Na endoscopia: hiperemia, placas semelhantes às da leucoplasia, circundadas por halo hiperêmico, às vezes confluentes. Em casos mais avançados: hemorragia, ulceração e estenose.

Quadro microscópico

Perda da estratificação do epitélio, hiperplasia da camada basal. As pápilas da lâmina própria se estendem à superfície, quase atingindo a luz. Presença de eosinófilos na intimidade do epitélio. Neutrófilos e linfócitos na lâmina própria.

Evolução

Por ação do suco gástrico haveria aumento da perda (descamação) e da substituição (regeneração) do epitélio. Em um certo momento a descamação seria maior que a capacidade de resposta do organismo. Conseqüentemente, as pápilas aproximam-se da superfície, permitindo o contato do suco gástrico com a lâmina própria e o estímulo de quimiorreceptores e fibras nervosas nessa região. Pode ocorrer ulceração, geralmente rasa (pode ter características de úlceras pépticas, raramente se aprofunda até a muscular).

Complicações

Fibrose da submucosa (sulcos e estenose), epitélio de Barret (revestimento do terço distal do esôfago por epitélio colunar. Adquire três padrões morfológicos: 1) gástrico fúndico, com células principais e parietais; 2) epitélio de tipo juncional, com glândulas da mucosa do cárdia, s/ células parietais ou principais; mucosa semelhante ao do intestino delgado. Encontra-se intimamente relacionado com câncer, principalmente o adenocarcinoma. Pode também originar úlceras profundas).

Manifestações clínicas

Queimação retroesternal (piora no decúbito e melhora na ortostatia), aliviada por antiácidos, dor epigástrica, eructação, regurgitação (+ noturna), odinofagia, disfagia para alimentos sólidos, hemorragia e salivação abundante.

4- Varizes do esôfago

São dilatações circunscritas das veias dos plexos submucoso e periesofágico, quase sempre adquiridas e secundárias a hipertensão porta. Ocorrem alterações tróficas na parede das veias, representada por irregularidades, espessamento por fibrose, dilatações. Ocorre estase venosa (mecanismo de retorno venoso encontra-se prejudicado), ocorrendo hipóxia crônica nos tecidos por elas drenados. Na tentativa de adaptação à carência de oxigênio ocorre atrofia. Mais comuns nos terços distal e médio (as veias se comunicam com a veia gástrica esquerda), estando localizadas na lâmina própria, submucosa e adventícia. Geralmente a disfagia só ocorre se houver complicações.

Dividem-se em dois grupos:

  1. Varizes primárias do esôfago: são menos freqüentes e de etiologia pouco definida (mal formações congênitas). Ocorrem em qualquer região da parede do esôfago.
  2. Varizes secundárias do esôfago. São mais freqüentes e decorrem de patologias preexistentes e que levam a hipertensão porta, tais como:
  1. Cirroses (principalmente a alcóolica). Fibrose de Symers. Alem da hipertensão ocorrem distúrbios na coagubilidade do sangue.
  2. Esquistossomose hepatesplênica
  3. Causas mais raras: trombose da veia hepática, trombose da veia porta, compressão da veia porta por tumores e etc.
Em tais casos o sangue é desviado para as veias esofágicas inferiores através da veia gástrica esquerda (existem anastomoses entre as veias gástricas e esofágicas) em uma tentativa de se formar um novo caminho para o sangue atingir o coração (via veia cava inferior
Macroscopicamente
Varizes pouco visíveis no cadáver. São observadas dilatações, saliências, tortuosidades e irregularidades nas veias. A mucosa está azulada (proximidade das veias), delgada e fica pré-disposta a degeneração e necrose, que contribuem para ulcerações. Podem estar trombosadas (quando rotas).
Conseqüências

A mais grave é a hemorragia digestiva que leva a morte. Mecanismos:

  1. Vasos ingurgitados e mais próximos a mucosa aldegaçada (em virtude de uma hipóxia gradativa, progressiva e persistente ) estão sujeitos a traumas e rupturas por alimentos sólidos e ásperos. A nutrição e sustentação da mucosa é feita pela submucosa. A hipóxia decorrente das varizes nessa camada levam a alterações tróficas da mucosa representadas pela: diminuição da proliferação da camada basal, atrofia de epitélio, maior facilidade para ulceração. Existe grande possibilidade de lesão e ocorrem microhemorragias, às vezes assintomática. A perda contínua de sangue pode levar a anemia.
  2. A elevação súbita da pressão venosa portal, ulceração péptica e ulceração da mucosa por refluxo do suco gástrico (as varizes alterariam o funcionamento do esfíncter) que determina afloramento das varizes e sua ruptura pela ação direta do suco ou pela maior exposição das veias ao traumatismo alimentar.

  3. Nos cirróticos a trombocitopenia e a hipoprotrombinemia, que alteram a hemostasia, também contribuem para o sangramento.
 
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