|
Anticoncepção
Hormonal
Milhem Jameledien Morais Kansaon, Rhaine Matos Gonçalves
Definição
Anticoncepção hormonal oral consiste na administração
por via oral de progestogênios isolados ou associados
aos estrogênios com a finalidade de impedir a concepção.
Químicas e Fórmulas
Os estrogênios usados nos anticoncepcionais orais são
dois: etinilestradiol e mestranol. A preferência atual
é para o etinilestradiol pois o mestranol somente é
ativo após a transformação hepática
onde parece sobrecarregar a função destoxicante,
a proporção transformada varia entre indivíduos
e a tolerância ao etinilestradiol parece melhor.
O
risco de trombose profunda é de 81:100.000 mulheres-ano
com dosagem de 50m g de estrogênio e acima dessa dosagem
112:100.000 mulheres-ano. Fórmulas com menos de 50m
g de estrogênio têm vantagens sobre os efeitos
colaterais: afetariam menos o metabolismo de lípides
e carboidratos. As desvantagens teóricas de baixar
a dosagem de estrogênio seriam o aumento da hemorragia
intermediária e do índice de gestações.
Na
pílula existem dois tipos de progestogênios,
derivados do pregnano ou da 17a -hidroxiprogesterona ( acetato
de ciproterona, acetato de medroxiprogesterona, megestrol,
clormadinona, superlutina e quingestanol) e derivados da 19-nortestosterona
que se subdividem em derivados do estrano (norentindrona,
acetato de norestisterona, diacetato de etinodiol, linestrenol,
norgestrienona e norgesterona) e derivados do gonano (dnorgestrel,
levonorgestrel, desogestrel, dienogest, norgestimate e gestodene.)
O
acetato de ciproterona é um potente progestogênio
e antiandrogênio, não apresentando efeitos androgênicos
nem estrogênicos. O levonorgestrel não apresenta
efeito estrogênico, mas em determinados casos apresenta
efeito androgênico. O acetato de noretindrona tem efeitos
androgênicos e estrogênicos. O linestrenol não
tem efeito estrogênico, mas descreve-se efeito androgênico.
O diacetato de etinodiol apresenta efeito androgênico
mínimo, porém nítido efeito estrogênico.
Além
do efeito anticoncepcional, o progestogênio ainda apresenta
importante efeito antagônico sobre o estrogênio
estimulando a atividade da 17b -estradiol desidrogenase, que
acelera a conversão do estradiol em estrona, diminuindo
o número de receptores estrogênicos e inibindo
o crescimento celular epitelial, desviando células
do ciclo celular de crescimento e induzindo-as para a fase
de repouso. Os progestogênios previnem o efeito proliferativo
dos estrogênios, ao mesmo tempo que o endométrio
transforma-se e descama-se regularmente.
Baseado
nessas considerações sobre o estrogênio
e o progestogênio da pílula, o clínico
deve conhecer dois dados fundamentais: prescrever anticoncepcionais
com 30m g de estrogênio e receitar contraceptivos com
a menor dose possível de progestogênio.
Modo de Usar
Em geral, para que o controle da fertilidade seja mais eficaz,
as pílulas combinadas são iniciadas no 5o
dia do ciclo menstrual e ingeridas por 21 dias, no primeiro
mês de tratamento. Faz exceção a essa
regra, os anticoncepcionais trifásicos e com acetato
de ciproterona, desogestrel e gestodene, que devem iniciar
o comprimido no 1o dia de sangramento menstrual,
para que esses sejam eficazes no primeiro mês de terapêutica.
Nos ciclos seguintes, as pílulas devem ser prescritas
após 7 dias de pausa, durante os quais sucede a menstruação
na maioria dos casos.
Mecanismo de Ação
Os anticoncepcionais orais, na maioria das vezes, exercem
seu efeito através da inibição do pico
de gonadotropinas do meio do ciclo. Atuam também em
outros aspectos: no muco cervical provocam alterações
fisicoquímicas, tornando o muco espesso e hostil, dificultanto
a espermomigração. No endométrio diminuem
a produção glandular de glicogênio de
tal forma que o blastocisto dispõe de menor quantidade
de material energético para sobreviver na cavidade
uterina. Nas tubas modificam a contratilidade em grau que
depende da estrogenicidade relativa de cada preparo. No ovário
alteram a resposta às gonadotropinas interferindo com
o ciclo dos receptores.
A
atuação dos anticoncepcionais orais na ovulação
é realizada fundamentalmente pela interferência
na liberação do GnRH e na produção
de gonadotropinas hipofisárias. A produção
diminuída de gonadotropinas pode ser secundária
à inibição hipotalâmica prolongada
com refratariedade ao GnRH.
Efeitos Colaterais
Os efeitos relacionados ao estrogênio são cefaléia,
náusea, vômitos, tonturas, cãibras, irritabilidade,
nervosismo, meteorismo, tensão pré-menstrual,
ganho de peso e edema pré-menstrual, ingurgitação
venosa, mastalgia, cloasma, mucorréia e hipermenorréia.
Os relacionados ao progestogênio são fadiga,
depressão, alterações da libido, hipomenorréia,
amenorréia, acne, exantema, aumento do apetite, ganho
de peso constante, hirsutismo, atrofia mamária, hemorragia
intermediária, seborréia e queda de cabelos.
Efeitos
sobre o sistema reprodutor são que o miométrio
pode sofrer hipotrofia na dependência do potencial progestogênico
do preparado. O endométrio pode determinar o desaparecimento
das modificações secretoras e levar ao endométrio
atrófico, inclusive com amenorréia e refratariedade
aos hormônios após emprego prolongado de anticoncepcionais
combinados. O colo uterino pode desenvolver hiperplasia polipóide
adenomatosa que, em geral, regride após a suspensão
da pílula. A ectopia parece ser mais freqüente,
e relaciona-se ao progestogênio. A vagina está
mais sujeita à vaginite especialmente por Candida
albicans. A vulva provavelmente sofre alterações
tróficas; encontra-se maior incidência de recidivas
de condilomas acuminados. Em relação às
mamas, cerca de 10% referem-se a modificações
volumétricas, bem como aumento da sensibilidade mamária.
A lactação é reduzida em termos de volume
e duração pelos anticoncepcionais combinados,
fazendo exceção a pílula contendo 50m
g ou menos de estrogênio. A pílula que contém
unicamente progestogênio, não reduz o leite,
podendo inclusive aumentá-lo. Galactorréia e
hiperprolactinemia podem aparecer durante o emprego de anticoncepcionais
hormonais.
O
risco estimado de trombose venosa e tromboembolismo aumenta
de 2 a 3 vezes nas usuárias de contraceptivos de maior
dosagem de etinilestradiol. Os fatores que contribuem são:
obesidade, predisposição familiar, grupo sangüíneo
A, doença crônica e imobilização.
O estrogênio por via oral pode aumentar os Fatores II,
V, VII, VIII, IX, X e XII da coagulação e diminuir
a antitrombina III.O estrogênio sintético pode
aumentar o número, a adesividade e a agregação
plaquetária, além de aumentar o tromboxane A2
(vasoconstritora) e diminuir a prostaciclina (vasodilatadora).
O risco de doença coronariana não aumenta em
usuárias exceto se houver a presença de um ou
mais dos seguintes fatores: hipertensão, hiperlipoproteinemia
Tipo II, fumo, obesidade, diabetes melitus e toxemia gravídica
pregressa. O risco de doença vascular cerebral em jovens
é de 2 a 4 vezes maior em usuárias de pílulas.
Hipertensão arterial apresenta incidência maior,
acréscimo de 2,5 a3 vezes ao fim de 5 anos. O estrogênio
administrado por via oral é absorvido pelo intestino,
é transportado pela veia porta e faz a 1a
passagem hepática, causando a síntese de substrato
de renina e angiotensinogênio.
A
tolerância à glicose encontra-se diminuída
em muitas usuárias principalmente no teste por via
oral, havendo paralelamente aumento do hormônio de crescimento
e da insulina. A administração de estrogênio
diminui os níveis plasmáticos de colesterol,
da lipoproteína de baixa densidade (LDL) e pode aumentar
ou deixar inalterados os triglicérides. Aumenta HDL.
A elevação do nível de saturação
do colesterol, possivelmente determinado pelo estrogênio,
parece ser o mecanismo fisiopatológico da doença
calculosa vesicular. A incidência de icterícia
em mulheres será de 1:10.000. Os efeitos sobre as vias
urinárias traduzem-se essencialmente pela maior ocorrência
de infecções urinárias.
Os
efeitos na pele traduzem-se pela maior freqüência
de fotossensibilidade, rosácea, eritema nodoso e eczema.
Em
relação às neoplasias, a incidência
combinada de displasia, carcinoma in situ e carcinoma invasor
em mulheres com mais de 8 anos de uso é mais que o
dobro das usuárias de DIU ou com menos de 2 anos de
ingestão da pílula, embora não se saiba
se esse aumento é direto ou relacionado a fator sexual,
que é importante na epidemiologia desse tipo de câncer.
Nenhum estudo mostrou relação entre o uso de
pílulas e câncer de mama. Ocorre menor incidência
de alterações fibrocísticas da mama em
usuárias. Em relação ao câncer
endometrial, ocorreu proteção em até
60% das usuárias devido a redução dos
receptores de estrogênio, estimulação
da atividade do 17b -estradiol desidrogenase, enzima que converge
o estradiol em estrona, hormônio menos potente. As pílulas
podem reduzir a incidência do câncer do ovário.
Efeitos Benéficos
"Paz de espírito", menstruações mais
regulares com alívio de dismenorréia, da tensão
pré-menstrual, do fluxo abundante e, em alguns casos,
da anemia. Diminuição de 33 a 50% da doença
inflamatória pélvica e do risco de gravidez
ectópica. Regressão rápida dos cistos
ovarianos funcionais, redução do câncer
endometrial (50-60%), doenças benignas da mama e de
câncer de ovário (50-75%). Algumas usuárias
apresentam melhora relativas à artrite reumatóide,
acne, seborréia e hirsutismo.
Interações
Medicamentosas
As interações ocorrem de duas maneiras: uma
droga reduz o efeito anticoncepcional da pílula e o
anticoncepcional reduz o efeito terapêutico de uma droga.
Contra-indicações
A
FDA menciona 7 contra-indicações absolutas para
o uso dos anticoncepcionais hormonais: neoplasia
hormônio-dependente ou suspeita; câncer
de mama declarado ou suspeito; tromboflebite
ou doença tromboembólica; antecedente
em tromboflebite, tromboembolismo ou doença trombótica;
doença
coronariana, cerebrovascular ou ocular; sangramento
uterino anormal não diagnosticado; gravidez
declarada ou suspeita
A "Société Suisse Pour le Planning Familial"
acrescenta à lista de contra-indicações
absolutas: hipertensão
arterial fixa; diabetes
insulino dependente grave;
Podem-se considerar ainda as seguintes condições:
fumantes
acima de 35 anos; idade
acima de 50 anos; hepatopatias
agudas ou crônicas (porfiria); lúpus
eritematoso sistêmico; hipercolesterolemia
primária ou familiar; as
seguintes doenças cardiovasculares: prótese
valvar; hipertensão
pulmonar primária ou secundária; estenose
mitral com fibrilação atrial ou aumento do átrio
esquerdo; cardiomiopatia;
doença
cardiovascular hipertensiva; síndrome
de Marfan; coarctação
da aorta complicada. Devem-se
considerar as seguintes contra-indicações relativas:
presença
de fatores de risco para tromboembolismo: anemia falciforme,
excesso de peso, varizes importantes, longo período
de imobilização no leito; passado
de icterícia gravídica e anomalias de excreção
biliar; doença
de vesícula biliar; excessiva
ansiedade sobre o uso do contraceptivo ou crises de depressão;
cefaléia
tipo hemicraniana; epilepsia;
psicoses
e neuroses graves; amenorréia
e desvio menstrual para menos; esclerose
em placas; hipertensão
arterial sistêmica leve ou moderada; herpes
genital; insuficiência
renal e cardíaca; otosclerose;
hiperprolactinemia;
diabetes
melitus moderado; mola
hidatiforme recente (esperar a negativação do
b -hCG; doenças
que necessitem de longo prazo com medicamentos que interagem
com a pílula anticoncepcional.
MINIPÍLULAS
Preparados contendo baixa dosagem de progestogênio administrados
de modo contínuo por via oral.
è Os melhores resultados parecem ocorrer com acetato
de noretindrona e norgestrel.
è Está indicada para mulheres que não
toleram a pílula e não querem o DIU.
Efeitos
Colaterais
Função menstrual irregular:
Efeitos não menstruais são pouco expressivos:
ganho de peso inexpressivo.
Não causa teratogênese sobre o feto
Cautela na amamentação
Mecanismo
de Ação
Multifatorial
Trama mucosa cervical se torna espessa e impermeável
aos espermatozóides
Há desenvolvimento atípico das glândulas
do estroma do endométrio
Pode haver supressão completa ou parcial do pico de
gonadotropinas do meio do ciclo e diminuição
da capacidade secretora do corpo lúteo.
Eficácia
Anticoncepcional
Menor eficácia que a pílula normal
Risco aumentado de ectociese
O retorno da fertilidade é imediato após a suspensão
do anticoncepcional.
PÍLULA
MENSAL (ONCE-A-MONTH- PILL)
è
Anticoncepcional que combina quinestrol 2mg - estrogênio
oral de longa duração + quingestanol 2,5-5mg
-progestágeno duas vezes mais potente que o composto
original
è O estrógeno acumula-se na gordura sendo liberado
lentamente, e a função de progestogênio
induzir regularmente a menstruação que ocorre
7-14 dias após a ingestão da pílula.
è É administrado de 4 em 4 semanas independentemente
do ciclo.
è 73% das usuárias apresentam sua primeira menstruação
25-45 dias após a última menstruação;
18% 40-60 dias. Quantidade normal
INTERCEPÇÃO
Anticoncepção pós-coital
Usa-se esteróides hormonais.
Mecanismo
de Ação dos Esteróides
Usado dentro de 72 horas após o coito
Há inibição da ovulação;
rompimento da função lútea por ação
direta no corpo amarelo; interferência com a resposta
apropriada aos esteróides sexuais; interferências
com a dinâmica dos espermatozóides e /ou ovo.
Esquema
Variável: Cita-se
etinil estradiol 1 a 5mg por 5 dias
estrogênios eqüinos conjugados 20-30 mg/dia por
5 dias
Esquema da pílula : 2 drágeas de Anfertil ou
Primovlar + duas drágeas após 12 horas ( cada
drágea: levonorgestrel 0,5mg e etinilestradiol 50micrograma)
Efeitos
Colaterais
Os estrógenos em doses elevadas provocam: náuseas,
vômitos e tonteiras e mastalgias
A associação levonorgestrel + etinilestradiol
: vômitos tonturas e dor abdominal
Eficácia
(Dados relativos a ingestão 24 horas após
o coito)
Os esquemas de etinilestradiol tem índice de falhas
entre 0 e 1,1% ao passo que os estrogênios equinos conjugados
têm índice de falha entre 0 e 1,5%.
O esquema que utiliza Pílula falha em 0 a 1,9 % dos
casos.
ANTICONCEPÇÃO
HORMONAL EM SITUAÇÕES ESPECIAIS

Quando
da prescrição dos anticoncepcionais deve ser
feito um exame clínico completo. Se a paciente tiver
alguma patologia específica, o uso de anticoncepção
não deve agravar a patologia , e se possível
de Ter efeito terapêutico sobre a mesma.
ADOLESCÊNCIA

Pílula combinada: método hormonal de escolha,
salvo sob restrições: fatores de risco, não
aderência ao uso.
DIABETES
MELLITUS

É indispensável a anticoncepção
uma vez que a gravidez na diabética é de risco.
O método não deve agravar o estado do diabetes
e suas complicações
Os contraceptivos orais, (apesar das novas pílulas
estroprogestínicas com menor toxicidade metabólica
e dos novos progestínicos utilizados em pílulas
com menores doses de estrogênios (20mcg)), são,
de maneira geral, contra-indicados em pacientes diabéticas,
principalmente nas pacientes com diabetes insulino dependente
grave.
Escolha do Anticoncepcional: Fazer exame completo na paciente
( desde fundo de olho até exame renal);
A escolha deve ser orientada quando a anticoncepção
mecânica, quando possível.
Caso a paciente seja nulípara a anticoncepção
oral será necessária. Em caso de intolerância
a pílula combinada, tentar progestágeno de microdosagem
(controlar metabolismo); Havendo nova intolerância pode-se
usar macrodoses de progestágenos por 3 semanas, associado
a estrógeno natural por via percutânia.
Em caso de mulher jovem com diabetes recente, pode-se propor
contraceptivos orais na forma de minidose e novos progestágenos
sob estrito controle metabólico.
Futuro: anéis vaginais que liberam Progestágeno
(efeito local)
implantes esteróides transdérmicos (infundem
baixas doses)
pílula antiprogesterona (método contra-gestação)
HIPERTENSÃO
ARTERIAL

A contracepção ora, usando pílulas combinadas,
mesmo em microdoses não pode ser considerada segura
na hipertensão arterial.
è O progestágeno puro em microdoses pode ser
utilizado com cautela (causa disovulia e anovulação)
è Não há contra-indicação
para o uso de progestágeno puro injetável (mas
há aumento indesejável de peso) ... É
o segundo método de escolha.
DISTÚRBIOS
DA CRASE SANGUÍNEA

Afecções que predispõem a Hemorragias:
Em todos os casos a contracepção oral não
é contra-indicada e pelo contrário, faz diminuir
as menorragias.
Afecções que predispõem a tromboses:
Contracepção hormonal é contra-indicada.
No LES e linfoma: pílula combinada: contra-indicada;
micropílula de prostágeno: usável com
último recurso
CARDIOPATIAS

Os contraceptivos orais combinados são contra-indicados
uma vez que expõem as cardiopatas a maior risco de
descompensação, devido a retenção
de sódio e a alterações dos fatores da
coagulação
Injetável Progestágeno puro (AMP) : Uso com
cautela ( Controlar PA)
Análogos do GnRH : custo elevado; podem ser usados
quando a gravidez é estritamente contra-indicada.
Obs: A serem disponíveis: anéis vaginais e DIU
que liberam hormônios (ação local)
LUPUS
ERITEMATOSO DISSEMINADO (LED)

Estrógenos sintéticos exercem influência
nefasta sobre a doença;
Progestágenos de microdosagem podem ser usados pois
tem inocuidade vascular e metabólica mas apresentam
efeitos colaterais.
Injetável puro de Projestágeno (AMP): usável
com cautela
è Análogos do GnRH : podem ser úteis
mas apenas por curtos períodos de tempo.
ANTICONCEPÇÃO
NO PÓS-PARTO

Evitar o uso de dos anticoncepcionais hormonais nos primeiros
quinze dias após o parto, mesmo os de microdosagem
(Há riscos tromboembólicos e de complicações
cardiovasculares nas primeiras semanas do pós-parto).
Não há consenso sobre o uso de anticoncepção
hormonal na amamentação.
-Contraceptivos orais que contém 50mcg ou mais de etinilestradiol
exercem ação supressiva da lactação
-Progestágenos + estrógenos (<50mcg) - diminuem
a concentração de proteínas cálcio
e fósforo.
-Contraceptivos orais trifásicos: sem efeitos sobre
a lactação e peso da cça
- etinil estradiol (50mcg) passa ao leite materno mas parece
não prejudicar o bebe.
Estudos dos últimos 30 anos não mostraram qualquer
efeito sobre os bebês de mães que usaram anticoncepcionais
orais combinados.
O uso de microprogestágeno deve ser iniciado no 17º
dia após o parto (Efeito colateral insignificante para
o lactente e para o aleitamento)
Acetato de medroxiprogesterona (injetável) . Não
foi demonstrado efeito colateral para as mães. Eles
aumentam a quantidade de leite. Utiliza-lo após 2 semanas
do parto.
Agonistas do GnRH: deve-se aguardar algumas confirmações
a respeito de seus efeitos colaterais.
MÉTODOS
ANTICONCEPCIONAIS INJETÁVEIS

HISTÓRICO:
Em 1935 descobriu-se que com a esterificação
de um álcool do progestogênio o medicamento produzia
efeitos duradouros, quando injetado.
O enantato de noretisterona, foi o primeiro injetável
de progestogênio a ser testado, e é usado em
amais de quarenta países.
Atualmente o acetato de medroxiprogesterona (AMP), na forma
de depósito, é comercializado em mais de noventa
países.
Estima-se que mais de 15 milhões de mulheres já
usaram esta medicação
Têm a vantagem de administração menos
frequente, não sofrerem intenso metabolismo hepático,
não sofrerem influências intestinais. Podem ser
usados esteróides naturais que por via oral seriam
inativos.
INJETÁVEIS
SOMENTE COM PROGESTOGÊNIO

São considerados bastantes seguros e simples
Embora exista o Enantato de Noretisterona (EN-NET) este não
está registrado no Brasil. Falaremos então,
mais do acetato de medroxiprogesterona de depósito
(AMP-D), que no Brasil é conhecido como Depo-Provera,
.
Tem poucas contra-indicações e são um
dos métodos mais eficazes e reversíveis a disposição
Aprovado pelo FDA para comercialização em 1992
Farmacologia
e Modo de Ação
O AMP-D é preparado na forma de suspensão microcristalina,
para injeção IM profunda no músculo glúteo
ou deltóide (evitar massagem), o que proporciona liberação
sangüínea prolongada.
Níveis máximos 24 horas após a injeção;
Mantém-se por 2 a 3 meses; caem paulatinamente no quarto
e no quinto mês após a injeção.
O efeito cumulativo independe do número de injeções
recebidas
O AMP-D tem ação trinta vezes mais elevada que
a progesterona no receptor para esse esteróide.
Embora não tenha atividade estrogênica ou antiestrogênica
o mecanismo mais importante para anticoncepção
é a inibição da ovulação,
com diminuição dos níveis de LH e FSH
e abolição do pico de LH o que leva a um estado
hipoestrogênico.
Mecanismos secundários são: alteração
do muco cervical (escasso e espesso); atrofia endometrial
induzida pela droga
Após 60 ou 70 dias do uso os níveis de estradiol
aumentam paulatinamente e se produz aumento do endométrio
até recuperação da ovulação
salvo se nova injeção é administrada
aos 90 dias.
Modo
de Uso
O recomendado para anticoncepção é uma
injeção de AMP-D de 150 mg a cada três
meses. Tolerância de até +- 4 semanas em relação
ao dia programado para próxima injeção.
Iniciado no sétimo dia do período menstrual.
Nesse caso não usar outro método anticoncepcional.
Caso contrário, indica-se outro método anticoncepcional
nos primeiros 7 dias.
ldade: < de 16 anos- preocupação com osteoporose
no futuro; pode
ser usado em mulheres sem filhos desde que estas sejam informadas
sobre a demora na recuperação na fertilidade.
Eficácia
e Reversibilidade
Altamente eficazes. Taxas de gravidez em torno de 0,3 /100
mulheres em uso.
Em geral consegue-se engravidar entre 9 e 16 meses após
a última injeção, não influindo
nesse tempo o tempo de uso.
Efeitos
Metabólicos
São pequenos e não há alteração
da função renal, hepática ou tireóidea;
Os efeitos diabetogênicos do AMP-D existem, mas são
leves, sendo raro o aparecimento de diabetes clínico
pelo seu uso.
è O uso de AMP-D em mulheres com coronariopatia ou
que tenham risco aumentado para ateroesclerose não
está indicado para primeira opção (Estudos
revelam possível redução do HDL sérico)
Uso
Durante a Lactação
Recomenda-se que o uso seja postergado até a Sexta
semana após o parto para mulheres que estejam amamentando
até que o sistema hepático da criança
esteja mais desenvolvido
Se a mulher não estiver amamentando o uso pode ser
imediato
Benefícios
Não-Anticonceptivos
Demonstrados:
- diminuição da incidência de doença
inflamatória pélvica aguda
(muco cervical espesso)
- diminuição
da incidência de: adenocarcinoma de endométrio;gravidez
ectópica; cistos de ovário; crises de falcização;
crises epilépticas
-
fortemente Presumidos: diminuição da anemia;
melhora da endometriose; diminuição dos casos
de mioma; carcinomas de ovário e nódulos mamários
benignos.
Efeitos
Colaterais E Complicações
Alterações menstruais: --sangramentos irregulares
nos primeiros 6 meses e após esse período tornam-se
raros podendo chegar a amenorréia ( 50% após
o primeiro ano e 70% após 3 anos à Não
apresenta risco (nem os sangramentos irregulares nem a amenorréia
Outras alterações : Aumento de peso em
torno de 1,5 a 2,0 Kg no primeiro ano de
uso.(acúmulo de gordura e aumento do apetite)
Cefaléia e tonturas em 3 a 19 % das usuárias
de AMP-D (?)
Osteoporose na menacme (?) (Inibição do eixo
hipotálamo- hipófise)
Precauções
e Contra - Indicação
Contra indicação absoluta: Gravidez confirmada
ou suspeita
Precauções: No câncer de mama; amenorréia
e antecedentes de problemas Cardiovasculares.
Uso e Ocorrência de Câncer
Câncer de Mama: O AMP-D acelera o desenvolvimento de
células cancerosas mas não transforma células
normais em cancerosas.
Câncer do Colo de Útero: ndn
Câncer do Endométrio: Diminui o risco do adenocarcinoma
de endométrio com o uso do AMP-D
Neoplasias Epiteliais Malignas de Ovário: Supõe-se
que haja efeito protetor.
INJETÁVEIS
COMBINADOS MENSAIS
Apresentações:
- 50 mg de enantato de noretisterona e 5mg de valerato de
estradiol (1995)
- 25 mg de acetato de medroxiprogesterona e 5m de cipionato
de estradiol (1996)
- 150 mg de acetofenido de diidroxiprogesterona + 10mg de
enantato de estradiol - Está registrado no Brasil sob
o nome de: Unociclo e Perlutal
Farmacologia
e Modo de Ação
Os
esteres de estradiol contidos nas formulações
são de curta duração e permitem níveis
elevados de estrógeno por período menor de 15
dias; segue-se rápido declínio que resulta em
sangramento por deprivação em torno de duas
a três semanas após a injeção.
A
associação acetofenido de diidroxiprogesterona
+ enantato de estradiol tem sido alvo de controvérsias
a respeito de acúmulo
O
cipionato de estradiol demonstrou menores picos de estradiol
e estrona mas demora em média 4 dias para alcançar
o pico enquanto outros demoram 2 dias.
A
quantidade de progesterona contida nos injetáveis mensais
é a metade da dose mensal de AMP-D e NETEN, o que é
suficiente para inibir a maturação e ovulação
por pelo menos 30 dias.
è
A inibição da ovulação é
o mecanismo principal pelos quais os injetáveis exercem
sua ação bloqueando o eixo hipotálamo
hipófise pelo retrocontrole exercido pelo hormônio.
Há também alteração do muco cervical
e do endométrio.
Precauções
e Contra-Indicações
Contra
indicações absolutas: Câncer de Mama e
neoplasias do aparelho genital
Temporária: Gravidez; sangramanento genital anormal,
suspeita de câncer de mama; doença tromboembólica
ativa; hepatopatia ativa; amamentação
Pacientes com as quais se deve tomar precauções:
história de diabetes mellitus, tabagismo acima de 35
anos; doença tromboembólica; HAS; doença
da vesícula biliar; hepatopatia crônica ou distúrbio
da hematocoagulação e citologia cervical alterada
Eficácia
e Reversibilidade
Taxa de gravidez acidental em torno de 0% (0,2 a 0,4% em alguns
estudos)
Recuperação da fertilidade e ovulação
é em torno de 60 a 90 dias após a última
injeção
Benefícios
Não-Contraceptivos
Não são indicados para regulação
de ciclo menstrual uma vez que causam irregularidades no ciclo.
O uso pode diminuir a ocorrência de dismenorréia.
Efeitos
Colaterais e Complicações
Efeitos Colaterais: Distúrbios menstruais; queixas
mamárias; cefaléia; tonturas e aumento do peso
Associação de medroxiprogesterona e cipionato
de estradial parece Ter melhor controle do ciclo no que diz
respeito a amnorréia.
1% necessitam de tratamento para sangramento excessivo que
é feito com ferro e com antiprostaglandina.
Aumento de peso de ½ quilo nos primeiros seis meses
e de um quilo ao final de uma ano (orientação
alimentar em geral é suficiente.
Acetifenido de diidroxprogesterona e enantato de estradiol
não é aprovada ainda para uso em controles governamentais.
Modo
de Uso
As associações devem Ter seu uso iniciado até
o quinto dia do ciclo menstrual.
Injeções intramusculares profundas no músculo
glúteo sem massagear.
Pode se iniciar o uso do anticoncepcional logo após
a menarca
O uso após 40 anos pode ser feito desde que não
existam outros fatores de risco.
Orientação da usuária em relação
ao sangramento menstrual durante o uso. O primeiro sangramento
ocorre em média 14 dias após a primeira injeção.
A ocorrência de sangramentos não modifica o esquema
de injeções.
Uso
durante a Lactação e Pós Parto
Contraindica-se contraceptivos que contenham estrógenos
durante o período da amamentação
Nas puerpérias que não estejam amamentando,
o uso do contraceptivo deve ser prorrogado para 6 semanas
após o parto ( Fenômenos Tromboembólicos)
Efeitos
Metabólicos
As associações reduzem as ações
dos fatores VII e X da coagulação.
As associações tem menor efeito sobre a hemostasia
que os contraceptivos orais.
HDL diminui após 6 meses de uso de medroxiprogesterona
e cipionato de estradiol.
Diidroxiprogesterona + enantato de estradiol ocasionam aumento
dos níveis de triglicéride e níveis mais
baixos de testosterona livre e total.
|