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A
lógica dos medicamentos genéricos
Muita
gente tem ouvido falar em medicamentos genéricos,
mas algumas ainda não sabem bem do que se trata.
Por não saberem, duvidam do poder que eles
têm de fazer baixar os preços. Por isso,
entendo como relevante que os farmacêuticos
expliquem, didática e pacientemente, o que
são os genéricos, tanto do ponto de
vista técnico, quanto social, a quem
se interesse pelo assunto. Aliás, conclamo
os farmacêuticos a se anteciparem e, bem antes
de serem abordados pelos consumidores, convidá-los
a um bate-papo sobre os medicamentos genéricos.
Recentemente,
um jornal convidou-me a escrever sobre o assunto.
Foi mais um dos muitos artigos que escrevi sobre genéricos.
E resolvi adotar uma linguagem diferente, mais aberta
e didática. O resultado foi gratificante. Pude
assegurar aos leitores o que é fato - os genéricos
fazem mesmo os preços dos medicamentos baixarem.
E muito. O que está por trás dos genéricos
não é nenhuma magia, nenhuma vara de
condão, nenhuma força paranormal, mas
uma lógica simples, que é, ao mesmo
tempo, a alma do mercado: a concorrência.
Primeiro,
fui à seguinte explicação: "Medicamento
genérico é aquele que é identificado
pelo seu princípio ativo, ou seja, pelo sal
do remédio. O que é o sal? É
a substância mais importante que contém
no produto. Por exemplo, o princípio ativo
ou o sai da Aspirina, do AAS e do Melhoral Infantil
é o Ácido Acetilsalicílico.
Já o da Novalgina e do Anador é
a Dipirona. E assim por diante".
Disse
mais naquele artigo: "Agora, que você, leitor,
sabe o que é o medicamento genérico,
imagine indo ao médico, sentindo febre. Aí,
ele o examina, descobre o motivo da febre e manda
você tomar um medicamento para baixar a temperatura,
Só que, ao invés de ele prescrever Novalgina
ou Anador ou outro medicamento qualquer com o nome
de marca ou nome comercial, ele manda você tomar
Dipirona".
E
acrescentei: "Então, você recebe a receita
do médico, vai a uma farmácia onde está
o farmacêutico presente e perguntam a ele: "Qual
a Dipirona mais barata que você tem,
aqui? O farmacêutico deve até entregar-lhe
uma lista com todos os medicamentos à base
de Dipirona, para que você compare os
preços. O farmacêutico sabe quais são
os mais confiáveis e atenderá o seu
pedido. Isso é a concorrência. Ela é
a lógica que faz baixar os preços".
Em
seguida, entrei pelo caminho da lógica que
move a existência de uma política de
medicamento genérico, fazendo a seguinte reflexão:
"E você, leitor, já parou para entender
uma outra lógica: aquela que faz os preços
dos medicamentos com os nomes de marca ou comercial
serem mais caros que os identificados pelo nome genérico?
E conseguiu entender essa lógica? Não?
Então, vou explicar: Os medicamentos identificados
pelo seu nome comercial ou de marca são mais
caros que os genéricos, porque os laboratórios
que os fabricaram gastaram uma fortuna para tornar
esse produto conhecido do público".
E
é isso mesmo. Esses laboratórios gastam
uma fábula com propaganda na televisão,
nas rádios, nas revistas e nos jornais. Gastam
também pagando pessoas para ir aos consultórios
médicos distribuir amostras grátis e
propagandas. A amostra grátis é uma
propaganda. Agora, dirijo-me a você, farmacêutico:
Sabe quanto custa a um grande laboratório colocar
um novo medicamento, na praça? Aproximadamente,
US$ 300 milhões. Na verdade, a propaganda corresponde
a cerca de 30 a 40% do custo de um novo medicamento.
Agora, imagine tirar esse custo do produto. Obviamente,
ele ficará mais barato. E como são muitas
as empresas que vão lançar produtos
sem a propaganda, por causa do nome genérico,
todas vão querer baratear mais ainda os seus
preços, para vender mais. Portanto, essa é
a lógica dos medicamentos genéricos.
Caro
farmacêutico, arrematei a conversa com o leitor
desse artigo, dizendo-lhe: "Então, sempre que
você ou alguém de sua família
for ao médico, exija dele que prescreva um
medicamento com o nome genérico. De posse da
receita, procure sempre uma farmácia onde esteja
presente o farmacêutico. Agindo assim, você
vai comprar o medicamento mais barato e com segurança.
E quem ganha com isso é só você,
tanto no bolso, quanto na saúde. Por isso,
nós lutamos tanto para que a Lei dos Genéricos
fosse aprovada".
Farmacêutico,
é fácil, portanto, convencer o consumidor
leigo de medicamento sobre o poder e a verdade dos
genéricos. Aliás, é uma obrigação
social e de saúde nossa massificar essa informação.
Tente.
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